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A ferrugem do egoísmo velho

Na jornada evolutiva, o Espírito encarnado, não raramente, vive dilema bastante expressivo entre os ensinamentos do Evangelho e as suas ações no dia a dia, nas relações interpessoais e consigo mesmo. Entretanto, tal situação não é apenas dilema dos espíritas. Na história do cristianismo podemos destacar os primeiros cristãos, como o Apóstolo Paulo, que em determinado momento de sua jornada, já entendia os ensinamentos do Cristo, mas não conseguia realizar todo o bem que queria, praticando ainda o mal. (Romanos,7:19).

O livro Jesus no Lar, ditado pelo Espírito Neio Lúcio e psicografado por Chico Xavier, no episódio “Explicações do Mestre”, narra que Sara, esposa de Benjamim, criador de cabras, em conversação edificante na casa de Simão Pedro, interpela Jesus a fim de entender por que, sendo conhecedora da ideia do Reino de Deus, ainda tinha enormes dificuldades de colocar em prática os ensinamentos proferidos pelo Mestre.

Poderemos buscar explicações em diversos argumentos para entendermos nossos dilemas existenciais, principalmente na atualidade, onde teses de diversas matizes, podem trazer alguma lógica que possam amenizar nossa ansiedade ou nosso desconforto. Não obstante, a consciência crítica nos convida constantemente a reflexão, uma vez que as leis divinas inscritas nela não estão inertes, muito pelo contrário, são sentinelas do amor universal, que convoca o Espírito a buscar a meta traçada no momento da sua criação.

Diante do nevoeiro materialista que se impõe entre o conhecimento e a prática da Boa Nova, Jesus dissipa esse nevoeiro, através da explicação que oferece à Sara e a todos presentes na casa de Simão Pedro, mas também, a todos nós que ainda jornadeamos neste planeta de provas e expiações, quando afirma: “O leite puro dos esclarecimentos elevados penetra o coração como o alimento novo, mas aí se mistura com a ferrugem do egoísmo velho”. Dando ciência, desta forma, que o vaso que permanece com as impurezas acumuladas ao longo do tempo que ficou sem a devida higiene, contamina o alimento nobre e essencial da vida. Portanto, para receber o alimento espiritual, através do Evangelho, Jesus nos convida à remoção da ferrugem do egoísmo velho, promovendo em nós a higiene em nossos sentimentos e em nossas emoções, para que possamos racionalizar os ensinamentos da Boa Nova a partir de uma estrutura psíquica equilibrada, deixando brilhar, cada vez mais, a nossa luz.

Afonso Celso Martins Pereira

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