CARE 83

Armadilha para lobos

No Evangelho Segundo o Espiritismo, o Espírito Erasto adverte que, no percurso da jornada reencarnatória, os espíritas encontram em sua missão grandes desafios: “Que importam as emboscadas que vos armem pelo caminho! Somente lobos caem em armadilhas para lobos, porquanto o pastor saberá defender suas ovelhas das fogueiras imoladoras” [1].

Joanna de Ângelis, por meio da psicografia do médium Divaldo Franco, destaca a referida advertência: “Somente lobos caem em armadilhas de lobos – leciona o Evangelho de Jesus. Desse modo, jamais te permitas o espinho da humilhação ou da desonra, quando agredido ou malsinado. És o que vives interiormente e não aquilo que te acusam. Não te tornarás melhor porque és elogiado, ou ficarás pior porque combatido. Permanece, honrado e discreto, sendo tu mesmo, em busca do aprimoramento íntimo” [2].

Tal advertência possibilita àqueles que a compreendem o encontro com a sua condição evolutiva por meio de ações reflexivas, mergulhando em sua essência espiritual e identificando seus sentimentos e comportamentos, aqueles que mais se assemelham ao lobo ou à ovelha.

Quando a identificação com o lobo se faz presente, a vulnerabilidade à armadilha torna-se real, pelo que ela representa, atraindo a presa para a sua ação aniquiladora. Essa presa, por sua vez, sente-se seduzida pelo mal que vem do exterior, que se concretiza e persevera em razão da afinidade com aquilo que existe em seu coração. Dessa forma, a análise da origem da tentação assume importante papel, pois desvela a real necessidade de transformação íntima, para que a sintonia deletéria entre o mundo íntimo e o exterior não se estabeleça em constante permuta.

Portanto, a primeira missão do espírita se constitui no autoconhecimento e, consequentemente, em sua reforma íntima, para que ele não seja surpreendido pelas armadilhas configuradas no mundo material e nas relações interpessoais, que se tornam obstáculos intransponíveis à sua jornada regeneradora neste planeta de provas e expiações.

Todavia, o Espírito Erasto, além da advertência, faz também um convite para que a missão seja exitosa: “Arme-se a vossa falange de decisão e coragem! Mãos à obra! O arado está pronto; a terra espera; arai!” [3]. Assim, a tarefa está posta, cabendo ao Espírito imortal permanecer na condição beligerante de lobo, vulnerável às armadilhas, ou encontrar a mansuetude da ovelha, na segurança da condução do bom pastor.

Referências bibliográficas:
[1] O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, Capítulo XX, Item 4.
[2] Vida Feliz, Divaldo Franco / Joanna de Ângelis, Mensagem 15.
[3] O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, Capítulo XX, Item 4.

Afonso Celso Martins Pereira

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