Posvenção: sobreviventes enlutados pelo suicídio
Os órgãos governamentais e a sociedade civil, por meio do Setembro Amarelo, realizam campanha de prevenção à morte por suicídio, pois estima-se que, para cada suicídio, 135 pessoas podem ser impactadas por essa morte, o que desperta, cada vez mais, a importância da posvenção, que se refere ao cuidado no luto por suicídio [1]. Esse tipo de luto acaba por se caracterizar como um luto mais difícil, solitário e cheio de interrogações, para as quais não se obtêm respostas satisfatórias, ficando o enlutado preso nos “E se…”.

Diante desse contexto de medo, insegurança, dúvidas e culpa, a consoladora Doutrina Espírita tem muito a oferecer aos enlutados, por meio do arcabouço teórico fundamentado na Codificação Kardequiana e no Evangelho do Cristo, bem como pelos trabalhos realizados nos centros espíritas — esclarecimento, acolhimento e tratamento —, em diversas atividades, como as que são realizadas na Fundação Espírita Allan Kardec (FEAK): Atendimento Fraterno, Grupo de Valorização da Vida, Reunião de Entes Queridos, Saúde e Autoconhecimento, SOS Preces, dentre outras possibilidades.
A pluralidade das existências – a reencarnação – constitui-se como a possibilidade bendita do renascimento, para que o processo evolutivo espiritual se desenvolva e atinja a sua finalidade, o que, por si só, traz esperança e consolo para os sobreviventes enlutados pelo suicídio, pois nada está perdido. Pelo contrário, essa certeza balsamiza as feridas deixadas pelo ato intempestivo da retirada antecipada da vida corporal. Ter a certeza de que ninguém se encontra desamparado, seja no plano físico, seja no plano espiritual, renova a esperança e fortalece a fé diante da misericórdia divina na jornada do Espírito imortal; o reencontro das almas queridas é uma certeza.
Por conseguinte, tal garantia se confirma quando Jesus, por meio da narrativa do evangelista João, deixa claro que ninguém ficará perdido, pois asseverou: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem, e eu lhes dou a vida eterna. Nunca mais, por todo sempre, elas perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” [2].
Em face do exposto, observa-se que a Doutrina Espírita muito pode contribuir para a posvenção, pois traz sentido à existência corporal e espiritual, demonstrando que a vida não termina no túmulo, mas se amplia a cada nova experiência, por meio da lei do progresso.
Referências bibliográficas:
[1] Instituto Vita Alere, Cartilha Posvenção: Orientações para Cuidado ao Luto por Suicídio.
[2] João, 10:27-28 — Novo Testamento: Tradução de Haroldo Dutra Dias.
Afonso Celso Martins Pereira
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