Um benefício jamais se perde
Muitas vezes ficamos perplexos com a ingratidão de um beneficiado perante um ato gentil de outrem em seu favor. Entretanto, ao considerarmos apenas o momento presente, não vislumbramos as consequências renovadoras das ações benditas realizadas por aquele que se dispôs a ser o instrumento da misericórdia divina.

A relação interpessoal, principalmente nos atos de socorro e gentileza, é uma oportunidade de exercício e crescimento pessoal para aquele que efetiva a ação. Não obstante, o benefício retribuído com a ingratidão representa uma oportunidade de perseverança, como se expressa na assertiva: “Se Deus permite por vezes sejais pagos com a ingratidão, é para experimentar a vossa perseverança em praticar o bem.” [1]
Logo, o primeiro efeito de uma ação bendita refere-se aos benefícios auferidos pelo executor, por aquele que se dispôs a conceder ao outro, de forma desinteressada, o auxílio. É com esse propósito que nos ensina o Guia protetor: “Infelizmente, nunca vedes senão o presente; trabalhais para vós e não pelos outros.” [2] Desse modo, toda e qualquer ação de auxílio, antes de quaisquer outras consequências, beneficia, em primeiro lugar, a jornada evolutiva do benfeitor.
Todavia, esclarece ainda esse Guia protetor que, no momento presente, as ações de auxílio podem não ser reconhecidas pelo beneficiado. Porém, quando desembaraçado do corpo físico, auferindo maior amplitude de consciência, deplorará a sua ingratidão e desejará reparar a falta, pagando a dívida noutra existência, não raro buscando uma vida de dedicação ao seu benfeitor [3].
Mediante esse contexto, a reencarnação apresenta-se como uma possibilidade amorosa e justa para o processo evolutivo do espírito imortal. A virtude conquistada, como a perseverança, proporcionar-lhe-á benefícios sólidos para a sua vanguarda; o egoísmo, expresso pela ingratidão, proporcionará ao ingrato a oportunidade de refazer a lição educativa, assumindo a posição de benfeitor.
Por conseguinte, ensina-nos Allan Kardec [4] que o que não se pôde fazer numa existência faz-se em outra, e assim ninguém escapa à lei do progresso. Intrínseco a essa lei está o princípio de que nenhum benefício se perde, constituído pela dinâmica harmônica do universo, sob os auspícios do amor divino.

Referências bibliográficas:
[1] KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XIII, item 19.
[2] KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XIII, item 19.
[3] KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XIII, item 19.
[4] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 2ª Parte, Capítulo V – Considerações sobre a pluralidade das existências.
Afonso Celso Martins Pereira
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