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Uma página preciosa, esquecida!

O texto, composto de apenas três itens (8, 9 e 10), está no Capítulo XXVIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, sob o subtítulo “Pelos Médiuns” (dentro do título geral “I – Preces Gerais”) [1]. Dada a perfeita didática, tão comum nos escritos do Codificador, dividimo-lo aqui em subtítulos grifados.

Voz dos Espíritos – Por determinação divina e até como sinais dos tempos, os Espíritos se comunicam, por meio de médiuns de todas as nacionalidades, raças, idades e condições, para provar a imortalidade e instruir os homens. Entre as condições referidas, estão também os diversos graus de instrução e moralidade, o que pede discernimento na análise.

Mediunidade – A mediunidade, de vinculação orgânica, permite a interação com o mundo invisível, realidade de todos nós como seres imortais. É o meio de comunicação e exige conhecimento para o bom uso e a boa prática. A instrução didática, indispensável, está em O Livro dos Médiuns [2].

Médiuns são intérpretes – Os médiuns são o canal de comunicação, sejam ostensivos ou intuitivos, mas exercem muita influência sobre o conteúdo transmitido. Sua moralidade e seu conhecimento são de fundamental importância para o critério de confiabilidade. A propósito, escrevemos uma matéria específica intitulada “Meros intérpretes”.

Mandato mediúnico é grave – A mediunidade é canal de instrução e orientação, não instrumento de diversão, de exploração de qualquer espécie ou de satisfação de ambições. Essa compreensão é fruto da maturidade trazida pela vivência séria, pela reflexão continuada e pelo estudo perseverante e comprometido com o bem.

Boa direção na própria faculdade mediúnica – Os que ignoram ou desprezam o estudo sério e continuado sobre as próprias faculdades e sua finalidade são mais nocivos do que úteis à Causa do Espiritismo, justamente pela má impressão que produzem, afastando ou retardando o compromisso de terceiros influenciados pelos maus exemplos.

Para conservar a assistência dos bons Espíritos – Ostensivos ou intuitivos, todos devemos trabalhar pelo próprio crescimento moral, afastando-nos de tudo o que nos desvie do objetivo providencial do Espiritismo, que é a nossa melhora moral. Os bons Espíritos se retiram quando encontram corações endurecidos e voltados para objetivos que não correspondem ao bem.

Sinal incontestável do afastamento dos bons Espíritos – Reconhece-se pelo declínio ou pela perda da própria faculdade, com a queda nos extremos do fanatismo e do ridículo, quando não se aproveitam os ensinos recebidos.

Faculdade estéril – Sem conhecimento, sem uso para o bem, sem humildade e sem valores morais, a mediunidade pode abrir caminho para uma obsessão perigosa, tornando-se inútil em sua finalidade.

Fujamos da vaidade – Ostensivos ou intuitivos, dispensemos a vaidade, compreendendo que a mediunidade é uma faculdade que pode, inclusive, ser suspensa. Críticas ou elogios devem ser utilizados como instrumentos de autoavaliação.

Preciosidade no modelo de prece (item 10), que transcrevo na íntegra:

Prece. — Deus onipotente, permite que os bons Espíritos me assistam na comunicação que solicito. Preserva-me da presunção de me julgar resguardado dos Espíritos maus; do orgulho que me induza em erro sobre o valor do que obtenha; de todo sentimento oposto à caridade para com outros médiuns. Se cair em erro, inspira a alguém a ideia de me advertir disso e a mim a humildade que me faça aceitar reconhecido a crítica e tomar como endereçados a mim mesmo, e não aos outros, os conselhos que os bons Espíritos me queiram ditar. Se for tentado a cometer abuso, no que quer que seja, ou a me envaidecer da faculdade que te aprouve conceder-me, peço que ma retires, de preferência a consentires seja ela desviada do seu objetivo providencial, que é o bem de todos e o meu próprio avanço moral.

É ou não é uma página preciosa? Merece ser divulgada, comentada e estudada.

Referências bibliográficas:
[1] O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, Capítulo XXVIII, Itens 8 a 10.
[2] O Livro dos Médiuns, Allan Kardec.

Orson Peter Carrara
Fonte: https://orsonpetercarrara.blogspot.com
(autorizado pelo autor)

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