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Quais influências dominam?

Um trecho de Santo Agostinho, na Conclusão de O Livro dos Espíritos, permite compreender a negativa influência que ainda temos permitido em um planeta que convulsiona no caos social da violência e dos extremos variados que se verificam diariamente.

O parágrafo inicial não é pessimista; apenas reflete uma realidade que há de passar. Está em nosso destino o aprimoramento moral, o progresso, que é inevitável. O cenário atual configura-se assim por força de nossa rebeldia coletiva, da teimosia que ainda nos permitimos.

Quando se usa o termo influência, ele não fica restrito às influências espirituais, que também agem, mas inclui, evidentemente, as influências mútuas entre nós mesmos, os encarnados, por meio de ideias, notícias e comportamentos inadequados que tanto agravam os quadros sociais.

Embora haja muitas ações e iniciativas magníficas, voltadas ao bem-estar e à felicidade humana, com providências e planejamentos que dignificam a vida, há muito a vencer em nós mesmos para que o planeta viva os tempos melhores que todos ansiamos.

Estejamos encarnados ou desencarnados — isso é secundário —, nós, os Espíritos, influenciamo-nos mutuamente, e a qualidade dessa influência depende do padrão moral de cada um, tanto ao recebê-la quanto ao exercê-la.

Vejamos, então: como somos e que tipo de influência exercemos? E, ao mesmo tempo, por quem ou por quais motivações somos influenciados? Aí vem o trecho em referência:

“(…) Quereis saber sob a influência de que Espíritos estão as diversas seitas que entre si fizeram partilha do mundo? Julgai-as pelas suas obras e pelos seus princípios. Jamais os Espíritos bons foram os instigadores do mal; jamais aconselharam ou legitimaram o assassínio e a violência; jamais estimularam os ódios dos partidos, nem a sede das riquezas e das honras, nem a avidez dos bens da Terra. (…)” [1]

O trecho é parcial e encontra-se no último parágrafo do Item IX da Conclusão da obra em referência.

Leve-se em conta a abrangência da palavra “seita”, não restrita à questão religiosa ou mediúnica. Apliquemos, então, esse raciocínio às mediocridades morais da atualidade — com suas disputas de todo gênero, com as manipulações e intrigas variadas, praticadas, sugeridas ou aceitas —, e poderemos distinguir o que se passa dentro de nós (a solicitar mudanças persistentes e ativas) e o tipo de influência que vamos aceitando, agravando o estado interior. Distinguindo, poderemos escolher que caminho queremos seguir. Se há instigadores para o mal de qualquer gênero e estímulos para o ódio e a violência, se há ambições e ganância por honras, riquezas ou poder, isso não pode vir de um bom Espírito. Os bons são aqueles que se esforçam para ser melhores e fazem tudo que está a seu alcance para auxiliar seus semelhantes, sem segundas intenções e desprovidos de quaisquer pretensões — normalmente vãs, temporárias, materiais e antiéticas — que caracterizam aqueles que se autopromovem ou de tudo querem tirar proveito, o que evidencia o egoísmo, incompatível com o Evangelho de Jesus.

Voltando ao título: ainda há domínio do mal, fruto do materialismo, mas isso há de passar.

Referências bibliográficas:

[1] O Livro dos Espíritos, Conclusão, Item IX.

Orson Peter Carrara
Fonte: https://orsonpetercarrara.blogspot.com
(autorizado pelo autor)

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