O choro
Enquanto navegava pela internet, deparei-me com algo que realmente me fez parar para pensar… Tem a ver com a forma como encaramos o choro de uma criança. Achei muito interessante e compartilho com vocês o texto escrito por Gabriela Ruggiero Nor:

“É que eu achava que o choro era ruim. Eu achava que o choro tinha que parar. E acho que é isso que aprendi: não precisa.
Existem, sim, motivos para o choro: desconforto de temperatura, fome, fralda, refluxo, doença, sono. Mas existe o choro que não cessa após checar tudo o que pode estar errado.
E esse choro, que pode durar horas… esse choro não é errado. E se hoje eu pudesse rever esses dias de maternagem, talvez me preocupasse menos em silenciar o choro de minha filha e mais em acolher suas lágrimas.
Talvez eu me focasse menos em ficar dizendo ‘shhhh’, balançando Clarinha de um lado para o outro do quarto, tentando todas as táticas possíveis, sentindo-me incapaz de consolá-la, e decidisse aceitar o seu choro, sua voz, como procuro aceitar a de qualquer amigo que me procura em prantos.
Entender que não se pode resolver a dor do outro, mas sempre se pode acolhê-la.
Entender que o choro às vezes não é dor, mas adaptação a esse mundo de sons, cheiros, luzes e pessoas a que o bebê não está acostumado.
Entender que, quando não se fala, não se balbucia e não se gesticula, só existe o choro como comunicação.
E quantas vezes as minhas tentativas de cessar o choro me impediram a verdadeira conexão com a minha filha?
O quanto o simples ato de abraçá-la e permitir que ela chorasse o que precisava, sabendo que eu estava ali com ela, presente, integralmente presente, sem procurar distraí-la, teria sido tão ou mais eficiente do que tentar táticas e truques para ela parar de chorar?
O quanto aquele choro não era um pedido por mais presença com intenção e coração, uma necessidade de dar um basta nas incômodas visitas pós-parto, um desejo de proximidade e o luto pela separação de não estar mais dentro de mim, segura e protegida?
Choro é emoção. Não quero ensinar a ela que o choro é errado. Que as emoções são erradas, que sentir é inadequado. O choro é normal.” [1]
Fiquei pensando… por que não lidamos bem com o choro? Por que o impulso de fazê-lo cessar rapidamente? Por que não acolhemos o choro infantil com carinho em vez de repreendê-lo?
A autora afirma: “o choro é normal”. Então, diante do choro dos pequeninos, busquemos a causa para ajudá-los na solução, dizendo: “Estou ao seu lado! Conte comigo!” E se o problema não tiver solução? Ajudemo-los a lidar com a frustração e ofereçamos apoio. O acolhimento é essencial.

Lembremo-nos de Jesus, o Sublime Pastor, que chorou [2] e ensinou: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados” [3].
Referências bibliográficas:
[1] Texto de Gabriela Ruggiero Nor, retirado do site www.momento.com.br
[2] João 11:35
[3] Mateus 5:4
Verônica Azevedo
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