Comentando Kardec
O Evangelho Segundo o Espiritismo
Cap. 19
O Poder da Fé
“Quando Ele veio ao encontro do povo, um homem se lhe aproximou e, lançando-se de joelhos a seus pés, disse: ‘Senhor, tem piedade do meu filho, que é lunático e sofre muito, pois cai muitas vezes no fogo e muitas vezes na água. Apresentei-o aos teus discípulos, mas eles não o puderam curar.’ Jesus respondeu, dizendo: ‘Ó raça incrédula e depravada, até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui esse menino.’ E tendo Jesus ameaçado o demônio, este saiu do menino, que no mesmo instante ficou são. Os discípulos vieram ter com Jesus em particular e lhe perguntaram: ‘Por que não pudemos nós expulsar aquele demônio?’ Jesus respondeu: ‘Foi por causa da vossa incredulidade. Pois em verdade vos digo, se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: Transporta-te daqui para ali, e ela se transportaria, e nada vos seria impossível.'” [1]

Transportar montanhas é vencer as dificuldades morais, o orgulho e o egoísmo.
A fé dá a certeza de atingir o objetivo visado. A fé robusta dá a perseverança, a energia e os recursos para vencer os obstáculos, pequenos ou grandes.
É uma faculdade que deve ser cultivada no bem. Antes era chamada de prodígio, de milagre; hoje é efeito de uma lei natural.
Qual montanha você vai mover hoje? Temos que estar preparados para vencer os desafios, que são muitos, mas, se fizermos esforços pequenos, vamos nos fortalecendo e alcançaremos nossas metas e objetivos.
Devemos nos perguntar: “Qual a finalidade da religião em minha vida?”
Raramente nos entregamos aos exercícios da fé sem espírito de comercialismo inferior, sem barganha. Queremos alcançar uma bênção? Prometemos cumprir tarefas para, em troca, sermos abençoados com a realização do nosso desejo.
A fé representa a bússola, a lâmpada acesa a orientar-nos os passos através dos obstáculos; localizá-la em ângulos inferiores do caminho é um engano de consequências desastrosas, porque, muito longe de ser uma alavanca de impulsão para baixo, é asa libertadora a conduzir para cima [2].
A fé cega caracteriza-se pela aceitação absoluta e inquestionável de um dogma, ideia ou autoridade, sem que haja a necessidade de prova, lógica ou compreensão do porquê de aquilo ser considerado verdade.
Há ausência de exame crítico. O indivíduo renuncia ao próprio raciocínio para adotar uma crença pronta. Questionar é muitas vezes visto como falta de devoção ou pecado.
A fé raciocinada é a única fé verdadeiramente inabalável.
Segundo Allan Kardec, a fé raciocinada só é inabalável quando pode encarar a razão face a face em todas as épocas da humanidade.
É preciso compreender o porquê e o como de determinado princípio.
Se a ciência comprovar que um conceito religioso está materialmente equivocado, a fé raciocinada opta por seguir a verdade científica.
A fé é humana e divina. Se todos os encarnados se achassem bem persuadidos da força que em si trazem e se quisessem pôr a vontade a serviço dessa força, seriam capazes de realizar o que, até hoje, chamaram de prodígios e que, no entanto, não passa de um desenvolvimento das faculdades humanas [3].

Referências bibliográficas:
[1] Bíblia Sagrada, Mateus 17:14-20.
[2] XAVIER, Francisco Cândido. Vinha de Luz. Pelo Espírito Emmanuel. Lição 92.
[3] KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo 19, item 12.
Ângela M. Camargo
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