Comentando Kardec
O Evangelho Segundo o Espiritismo
Cap. 27
Felicidade que a Prece Proporciona
23. Vinde, vós que desejais crer. Os Espíritos celestes acorrem a vos anunciar grandes coisas. Deus, meus filhos, abre os seus tesouros, para vos outorgar todos os benefícios. Homens incrédulos! Se soubésseis quão grande bem faz a fé ao coração e como induz a alma ao arrependimento e à prece! A prece! Ah! como são tocantes as palavras que saem da boca daquele que ora! A prece é o orvalho divino que aplaca o calor excessivo das paixões. Filha primogênita da fé, ela nos encaminha para a senda que conduz a Deus… Avançai, avançai pelas veredas da prece e ouvireis as vozes dos anjos. Que harmonia! Já não são o ruído confuso e os sons estrídulos da Terra; são as liras dos arcanjos; são as vozes brandas e suaves dos serafins, mais delicadas do que as brisas matinais, quando brincam na folhagem dos vossos bosques. Também vós, orai como o Cristo, levando a sua cruz ao Gólgota, ao Calvário. Carregai a vossa cruz e sentireis as doces emoções que lhe perpassavam n’alma, se bem que vergado ao peso de um madeiro infamante. Ele ia morrer, mas para viver a vida celestial na morada de seu Pai. (Santo Agostinho. Paris, 1861)

Como a oração nos fortalece e nos ajuda a vencer nossos desafios. Jesus ensinou: “Seja o que for que pedirdes na prece, crede que o obtereis e concedido vos será o que pedirdes.” [1]
O Mestre recomendava que houvesse uma mudança em nós, de comportamento mental e moral. Que não retornássemos ao erro; convidava-nos a renovar nossas atitudes e a praticar a oração constante.
A prece permite uma imediata mudança de postura, em razão das energias renovadas que nos estimulam à renovação dos valores interiores.
Mahatma Gandhi dizia que aquele que experimentou a magia da oração pode atravessar vários dias sem alimento, mas nem um momento sequer sem orar, porque sem isso não há paz interior. [2]
Jesus várias vezes se afastava dos discípulos para entrar em comunhão com o Pai. Nesses momentos de oração, hauria forças e inspiração do alto.
O texto de Santo Agostinho nos convida a avançarmos e a ouvirmos a voz dos anjos. Sabemos que temos um mentor ou mentora que nos conhece de priscas eras — nossos anjos guardiões, que sabem dos nossos pontos fortes e fracos e que estão sempre prontos a nos socorrer nos momentos de desafio e dor. Jamais estamos sós e desamparados; somos muito amados e, se perseverarmos no caminho do bem, alcançaremos todos os nossos objetivos traçados antes de reencarnarmos.

Depende de nós fazermos a nossa parte para merecermos o amparo e a proteção espiritual. A oração é uma das chaves que abrem as portas para vencermos a nós mesmos e evoluirmos em direção à luz. A hora é aqui e agora.
Referências bibliográficas:
[1] Marcos, 11:24.
[2] GANDHI, Mahatma. A Roca e o Calmo Pensar. 2. ed., p. 8.
Ângela M. Camargo
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