Necessidades humanas
Além das necessidades físicas — ingestão de líquidos, alimentação, sono, reprodução, segurança, moradia, higiene, cuidados em caso de doenças —, temos necessidades psicossociais, que também têm íntima relação com nossa sobrevivência como indivíduo e como espécie.

Como o imperativo biológico se encontra na própria sobrevivência, sobreviver foi o instinto mais poderoso a moldar nossa mente. Esse instinto se manifesta nas necessidades humanas, desejos intrinsecamente cristalizados em nossa maneira de pensar, sentir e agir.
Susan Fiske, pioneira na pesquisa de cognição social, reconhece os seguintes motivos psicossociais [1]:
Pertencimento: desejo de manter conexões estáveis e significativas com os outros.
Compreensão: temos motivos fortes para sermos precisos na maneira de ler e entender pessoas e situações.
Controle: a sensação de que temos autonomia, liberdade e competência para dirigir nossas próprias ações e fazer as coisas acontecerem.
Ter importância: sentirmos que somos dignos, termos status social e uma reputação positiva.
Confiança: como animais sociais, não podemos sobreviver sem confiar nas outras pessoas.
Como espíritas, admitimos outro instinto, além do instinto de conservação, de natureza essencialmente espiritual, que também se mostra como uma força motivadora, construtora de desejos e necessidades. Kardec chamou esse instinto de perfectibilidade: a capacidade própria do ser espiritual de se desenvolver, aperfeiçoar e transformar ao longo do tempo, tanto no plano intelectual quanto moral, cultural, social e espiritual. [2]
Se somos motivados rumo à satisfação das necessidades físicas e psicossociais, somos, igualmente, motivados à satisfação das necessidades espirituais. Estas nos levam ao encontro de uma vida mais próxima dos valores morais, em que a generosidade, a modéstia, a empatia e a compaixão garantem, além de evidente bem-estar íntimo, a iluminação espiritual.
Somente a iluminação espiritual dará conta de separar adequadamente as necessidades reais — físicas ou da alma — dos caprichos, fantasias, vícios e paixões. Essa distinção se fundamenta no fato de que as necessidades reais são limitadas, continentes e geradoras de saúde física e mental. Os caprichos, vícios e paixões são ilimitados, insaciáveis e mórbidos.

Referências bibliográficas:
[1] ARONSON, Elliot. O Animal Social. Motivos Psicossociais — Susan Fiske.
[2] KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Profissão de Fé Espírita Raciocinada.
Ricardo Baesso de Oliveira
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