CARE 66

Ah! se os médicos orassem!

Dona Márcia vinha sentindo fortes dores abdominais, há muitos meses. As dores vinham em crises que duravam alguns dias e eram tão intensas que, algumas vezes, precisava ser hospitalizada.

Estava sendo acompanhada por um dos mais competentes médicos da cidade, professor de gastrenterologia da Universidade. Todos os exames disponíveis para investigação do quadro clínico foram realizados e nada mostraram.    

Que teria essa senhora? Que dor misteriosa? O que fazer? Como agir? Essas questões atormentavam o médico experiente.

Certo dia, ele encontrava-se na residência da paciente. Tratava-se de uma nova crise. Ele a medicou, esperou que estivesse melhor, despediu-se e ao entrar em seu veículo estacionado diante da casa, viu-se invadido por sufocante angústia, uma sensação de impotência e desesperança. Ele estava completamente perdido. O conhecimento e a experiência adquiridos em três décadas de prática clínica mostravam-se incapazes em solucionar aquele grave caso.

Ele não era um homem religioso; não se habituara à prática da oração, mas naquele momento, o desencanto e a frustração, tocando-o tão profundamente, fez com que emitisse, com rara emoção, esse pensamento:

– Meus Deus! O que é que eu faço!?

Poucos segundos decorreram, quando ele notou forte cheiro de gasolina. Olhou para outro lado da rua e verificou que havia ali uma oficina mecânica. Um tanque de gasolina próximo da rua exalava aquele cheiro forte.

Estabeleceu-se, então, em sua mente o elo: gasolina, chumbo, intoxicação, dor abdominal. Tratava-se, talvez, do Saturnismo, uma doença causada pelo excesso de chumbo no sangue. Verificou, logo a seguir, que os canos que conduziam a água na residência de Dona Márcia eram feitos de chumbo.

Solicitou imediatamente o exame de sangue específico, que mostrou altíssimas taxas de chumbo no sangue.

Ele estava certo, trata-se do Saturnismo. Medicou-a com uma substância denominada d-penicilamina, quelante do chumbo. Ela nunca mais teve dores.

Referindo-se à ajuda que os médicos recebem dos bons Espíritos, André Luiz comenta que todos os médicos, ainda mesmo quando materialistas de mente impermeável à fé religiosa, contam com amigos espirituais que os auxiliam.

A saúde humana é dos mais preciosos dons divinos. Por parte de quantos ajudam a marcha humana, na esfera espiritual, há sempre medidas de proteção à harmonia orgânica, para que a saúde das criaturas não seja prejudicada.

Aludindo aos erros que se verificam na medicina, coloca que os protetores invisíveis não os podem evitar, pois a colaboração dos Espíritos não pode ultrapassar o campo receptivo daquele que se interessa pela cura alheia.

Por isso, André Luiz colocou:

– Ah! se os médicos orassem!

Ricardo Baesso de Oliveira

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