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Espiritismo e desinformação: o que observar na era digital

Vivemos num tempo diferente, em que nunca tivemos tanto acesso à informação e, ao mesmo tempo, nunca foi tão complexo saber o que é verdade. Nas redes sociais, observamos vídeos e textos que se espalham em segundos, muitas vezes relacionando o Espiritismo com ideias que não fazem parte do seu ensinamento.

Ao mesmo tempo que isso nos preocupa, também nos alerta, induzindo-nos a praticar duas virtudes que a Doutrina sempre nos ensinou: o bom senso e o estudo sério.

A questão não é negar o que é novidade, mas saber discernir o que de verdade vem da Codificação Kardequiana e o que é invenção, boato ou distorção.

Allan Kardec nos educou para buscarmos a razão, o questionamento honesto; ele mesmo não aceitou nada de imediato e colocou tudo o que viu e ouviu sob o filtro da lógica e da observação.

Por isso, disse que “fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade” [1]. Por vezes, encontramos nas redes sociais algumas “revelações” ou “novos conceitos” que confrontam os princípios fundamentais da Doutrina. Devemos analisar, usar de nossos conhecimentos, pesquisar a fundamentação e avaliar se está condizente com a Codificação. Se usarmos o bom senso citado anteriormente, a ideia vai resistir? A verdade não teme a crítica honesta.

Se não tomarmos cuidado e não usarmos a atenção para os detalhes, podemos nos enveredar por desinformações que nos confundem. Há quem pense que o Espiritismo seja um amontoado de superstições, que promove previsões e soluções mágicas para os problemas da vida. Há, ainda, aqueles que misturam ideias espíritas com outras crenças e confundem ainda mais. E, pior, há os que distorcem os textos originais espíritas e os adaptam a outro contexto.

Em todas essas situações, há uma maneira de evitarmos essa desinformação: voltar às fontes. Estudar as obras básicas, conhecer a codificação espírita e buscar orientação em pessoas e grupos que levam o estudo e a pesquisa muito a sério.

Jesus nos ensinou a não nos deixarmos enganar: “Muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos” [2]; e nos ensinou, ainda, que seria preciso vigiar e orar para não cair em ilusão, e que deveríamos conhecer a árvore pelo fruto.

A questão da desinformação não é apanágio somente da má-fé. Às vezes, pessoas bem-intencionadas, mas mal estudadas, podem compartilhar o que leram ou ouviram e repassar sem a devida análise. Porém, espalhar uma informação falsa ou distorcida, mesmo sem intenção ruim, é desrespeito à verdade e aos outros. O ideal é pensar, antes de postar, no real significado do que se lê ou ouve. O melhor é lermos o texto ou ouvirmos o áudio e perguntarmos se o conteúdo é condizente com a Doutrina. Vai ajudar ou confundir as pessoas? Isso se chama responsabilidade.

A era digital nos facilita estudar com mais precisão e profundidade, buscar fontes e trocar ideias com pessoas, mesmo à distância. O Espiritismo é progressista, aberto ao conhecimento e ao avanço. Que possamos fazer a nossa parte, conferindo com espírito crítico cada texto, mensagem ou vídeo que recebamos, mas com amorosidade e o coração isento de julgamentos.

Referências bibliográficas:

[1] O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XIX, Frontispício.
[2] Mateus, 24:5.

Fernando Emílio Ferraz Santos

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