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Guerras, transição e nós

Estamos todos acompanhando as notícias e ocorrências que acontecem atualmente. Guerras, disputas, justificativas inaceitáveis para tudo isso. Interesses escusos, com discurso de proteção ou segurança que não convencem. Vivemos num tempo em que o mundo parece estar sempre em conflito. A sensação é de que tudo está ficando pior.

Porém, segundo a Doutrina Espírita, tudo isso que está acontecendo faz parte de um processo maior, que chamamos de transição planetária.

No livro A Gênese, capítulo XVIII, itens 26 a 28, Allan Kardec explica que o planeta Terra está passando para uma fase diferente, de mundo de provas e expiações para um mundo de regeneração [1]. Essa mudança aponta que o nosso mundo, em que o sofrimento e o egoísmo predominam atualmente, entrará numa era nova, em que a fraternidade e a justiça estarão mais fortes. Não são mudanças rápidas, imediatas… Serão necessárias mudanças no pensamento, no comportamento das pessoas, e isso ainda vai levar tempo.

Os Espíritos ensinam que, quando a luz aumenta, as sombras aparecem. Isso significa que, quanto mais alguém cresce moralmente, mais percebe suas imperfeições, e mais elas vêm à tona para serem corrigidas. E, depois, só haverá luz.

Na primeira lição do livro Caminho, Verdade e Vida, Emmanuel diz que a humanidade vive grandes lutas de renovação [2]. Lutas essas que servem para que o espírito humano cresça e se liberte dos comportamentos e vícios equivocados. E no livro A Caminho da Luz, capítulo XXIV, esse mesmo autor mostra que a história da Terra sempre avançou através de períodos difíceis, que serviram como impulso para novas etapas de progresso moral [3].

Compreendemos que a guerra não é a vontade de Deus, mas consequência das escolhas humanas. Aprendemos que o livre-arbítrio possibilita que cada um de nós decida entre o bem e o mal. Se o caminho escolhido for o egoísmo, a violência e o orgulho, a consequência aparece em escala coletiva. Todavia, o Espiritismo também nos ensina que nenhum sofrimento é inútil. Ele serve para que a consciência desperte e facilite a transformação interior.

Por isso, no Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, no capítulo V, item 18, os Espíritos ensinam que as provas têm sempre um objetivo educativo [4].

A transição planetária é o fim de um modo de viver egoísta e injusto. Em A Gênese, capítulo XVIII, item 34, Kardec explica que os Espíritos mais adiantados reencarnarão para auxiliar na renovação moral da Terra [5]. E os Espíritos ainda muito atrasados moralmente, endurecidos no comportamento, terão oportunidades novas em outros mundos que serão compatíveis com seu nível de progresso.

O convite, para nós, é simples: sermos instrumentos de paz. Não temos a capacidade de exterminar as guerras no planeta, mas já podemos terminar as guerras dentro de nós, como a raiva, o preconceito e a intolerância.

Em Mateus 5:9, Jesus ensina que os pacificadores são bem-aventurados [6]. E André Luiz, no livro Sinal Verde, capítulo 30, lembra que a paz começa no coração de cada um [7].

A Doutrina Espírita nos mostra que a humanidade caminha para um futuro melhor, sendo que as mudanças são desafiadoras, mas necessárias. Cabe a nós a responsabilidade do autoconhecimento e da conscientização dessas leis que Deus nos mostra a cada dia.

Referências bibliográficas:

[1] KARDEC, Allan. A Gênese. Capítulo XVIII, itens 26 a 28.

[2] XAVIER, Francisco Cândido. Caminho, Verdade e Vida. Pelo Espírito Emmanuel. Lição 1.

[3] XAVIER, Francisco Cândido. A Caminho da Luz. Pelo Espírito Emmanuel. Capítulo XXIV.

 [4] KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo V, item 18.

[5] KARDEC, Allan. A Gênese. Capítulo XVIII, item 34.

[6] Bíblia Sagrada, Mateus 5:9.

[7] XAVIER, Francisco Cândido. Sinal Verde. Pelo Espírito André Luiz. Capítulo 30.

Fernando Emílio Ferraz Santos

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