Editorial – Além do que os olhos veem
Querida leitora, querido leitor,
Chegamos à edição 83 do CARE com o coração agradecido. E, antes de qualquer coisa, queremos conversar com você sobre aquilo que nem sempre se enxerga.
Todos nós conhecemos a rotina que cansa, as contas que apertam, as notícias que inquietam e as provas que chegam sem pedir licença. Quando estamos no meio delas, é natural que só consigamos ver o muro à nossa frente. Mas a vida é maior do que o recorte que os olhos alcançam. Como lembra o artigo sobre a reencarnação nesta edição, nós não somos apenas a pessoa que aparece no espelho: somos Espíritos em jornada, aprendendo, escolhendo e recomeçando.

Por isso, vale ensaiar uma pergunta diferente. Em vez de “por que isso está acontecendo comigo?”, que tal perguntar “o que isso está querendo despertar em mim?”. Às vezes, o que parecia um muro era um degrau. Jesus nunca nos prometeu um caminho sem aflições, mas deixou uma promessa que nos acompanha também nestas páginas: “no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” [1]. Vencer o mundo é, no fundo, vencer a nós mesmos: com prudência para escolher, serenidade para atravessar os conflitos e entusiasmo para seguir em direção ao propósito que nos trouxe até aqui.
E ninguém caminha sozinho. Por isso, deixamos aqui, do fundo do coração, o nosso muito obrigado aos trabalhadores voluntários da FEAK. Neste ano que se encerra, vocês doaram horas de descanso, saber, paciência e carinho. Gravaram, escreveram, revisaram, organizaram, acolheram, e muitas vezes fizeram tudo isso longe dos holofotes, sem pedir nada em troca. Talvez vocês nem imaginem quantas vidas foram tocadas por um gesto simples, por uma palavra no momento certo, por uma porta que se manteve aberta. Nós sabemos, e agradecemos. Que Jesus os fortaleça e que tudo o que semearam volte em forma de paz.
O Natal está chegando. Entre as luzes, as mesas postas e os presentes, queremos fazer um convite: que este Natal seja um verdadeiro renascer de Jesus em nós. Lembremos que Ele não escolheu um palácio, mas uma manjedoura. Isso quer dizer que Jesus não espera a casa arrumada nem a vida resolvida; espera apenas um coração disposto a recebê-lo. Que Ele possa nascer no perdão que damos antes de ser pedido, na palavra que acolhe em vez de ferir, na caridade que se faz em silêncio, na prece sincera e na coragem de recomeçar. E que, ao fim de cada dia, possamos nos deitar em paz, como sugere o artigo sobre o sono nesta edição, preparando também o Espírito para acordar mais perto da luz.
Que o próximo ano nos encontre mais unidos, mais conscientes e mais fiéis ao melhor que existe em cada um de nós.
Boa leitura, e que Jesus nos abençoe sempre.
Com carinho,
A Equipe do CARE
Referências bibliográficas:
[1] Evangelho segundo João, 16:33.
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