Editorial
Paternidade: missão sagrada do amor
No calendário terrestre, o Dia dos Pais surge como momento de reflexão sobre uma das mais nobres missões que o Criador confia aos Espíritos encarnados: a paternidade. Mais que um laço biológico, ser pai representa um compromisso espiritual de magnitude incomparável, uma oportunidade sublime de crescimento mútuo entre almas que se encontram no teatro da vida.
Allan Kardec, na questão 582 de “O Livro dos Espíritos”, esclarece-nos que a paternidade “constitui, ao mesmo tempo, grandíssimo dever, que empenha, mais do que o pensa o homem, a sua responsabilidade quanto ao futuro”. Quantos pais descobrem, no exercício da paternidade, virtudes adormecidas em seu íntimo! Quantos filhos encontram, na figura paterna, o espelho necessário para seus próprios aprendizados!
A paternidade espírita precisa transcender o conceito meramente terreno. Para realizar a missão de forma exitosa, é necessário que se eduque pelo exemplo, oriente pelo amor e compreenda sua responsabilidade como colaborador divino na formação de um Espírito em evolução.
Emmanuel, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, ensina-nos que “a paternidade é ministério divino”. O pai consciente de sua missão compreende que não possui seus filhos, mas os recebe em empréstimo do Pai Celestial para cuidar, educar e amar incondicionalmente. É guardião temporário de uma alma imortal, responsável por oferecer-lhe ambiente propício ao desenvolvimento moral e intelectual.
Nas questões sobre educação presentes na Codificação Kardequiana, aprendemos que os pais são os primeiros educadores, aqueles que plantam as sementes dos valores morais que acompanharão os filhos por toda a existência e além dela. A autoridade paterna, quando exercida com amor e sabedoria, torna-se bênção que se perpetua através das reencarnações.
Muitos pais enfrentam desafios aparentemente intransponíveis: filhos rebeldes, problemas de saúde, dificuldades financeiras. A Doutrina Espírita nos ensina que essas situações são oportunidades de crescimento, provas escolhidas antes da reencarnação para o aperfeiçoamento espiritual. O pai que compreende essa verdade encontra forças para perseverar com amor, mesmo nas horas mais difíceis.
A figura paterna, quando iluminada pelos ensinamentos espíritas, torna-se ponte entre o mundo material e espiritual, exemplo vivo de como o amor pode transformar vidas. É o pai que ensina pela tolerância, que corrige com paciência, que demonstra que a verdadeira força está na bondade.
Neste Dia dos Pais, honremos todos aqueles que assumiram esta missão sagrada. Aos pais encarnados, nosso reconhecimento pela dedicação. Aos pais desencarnados, nossa gratidão pela continuidade do amor que transcende a morte. E a todos nós, a reflexão sobre como podemos ser, cada dia mais, dignos da confiança divina depositada em nossos corações.

Que o exemplo do Pai Celestial, amor infinito e misericórdia sem limites, inspire cada pai terreno a cumprir sua missão com alegria, sabedoria e, sobretudo, muito amor.
Ao meu pai querido
Pai querido, espelho d’alma,
Guardião do meu destino,
Em tuas mãos encontro calma,
Em teu olhar, amor divino.
Foste tu quem me ensinou
Os meus primeiros passos,
E quando a vida me testou,
Contei com teus abraços.
Nas noites de incerteza fria,
Quando o medo me visitava,
Tua voz doce me dizia:
“Meu filho, Deus te ampara.”
Hoje compreendo a missão
Que Deus em ti depositou:
Ser pai é dom do coração,
É amar como Cristo amou.
Obrigado, pai amado,
Por seres luz em minha vida,
Por teres sempre me mostrado
Que o amor é nossa guarida.
No Dia dos Pais, minha oração
Sobe aos céus em gratidão:
Que Deus abençoe teu coração,
Hoje e sempre, meu irmão.
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