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Trabalho e cooperação

Palavras intrigantes que nos levam a meditar: por que os espíritos lhes dão tanta ênfase? Podemos lembrar a citação do apóstolo Pedro no livro Paulo e Estêvão, quando em momentos turbulentos na Casa do Caminho (2ª parte, capítulo V): “…onde há trabalho, há riqueza; onde existe cooperação, existe paz!…” [1]

Citando também O Livro dos Espíritos, questão 766, Allan Kardec pergunta aos instrutores espirituais: “A vida social está na Natureza?”

E a resposta: “Certamente; Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação.” [2]

Essa relação é que possibilita o crescimento de cada um, na medida em que uns aprendem com os outros, mesmo os mais refratários, porque momento chegará em que refletirão e suas conclusões serão outras.

Mais à frente, os instrutores vão ampliar o raciocínio, na medida em que mergulhamos um pouco mais nos ensinamentos, dizendo que somente através dos contatos de uns com os outros o homem consegue se burilar e ir se aprimorando, conquistando, portanto, virtudes tais como: a humildade, a tolerância, a paciência, a compreensão e outras, extraindo de si o orgulho e o egoísmo, chagas da humanidade. Quando utilizamos para reflexão essa linha de raciocínio, caminho para a busca da perfeição, não podemos deixar de lembrar a citação de Jesus: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida (…)” [3], até porque em suas vibrações estamos todos inseridos, mesmo à nossa revelia; cabe a cada um de nós aproveitar ou não.

Ampliando um pouco mais, vamos ver que temos um campo imenso para exercitar essa cooperação, trabalhando sem cessar, que é a família, por exemplo, onde aproveitamos para citar Joanna de Ângelis: “…o trabalho também ilumina o espírito, quando este busca o autoaperfeiçoamento, a autoiluminação. Este fabuloso instrumento de elevação, portanto, deve ser estimulado no lar, fazendo parte do programa educativo para a vida que será insculpida na criança, preparando-a para a razão e a ação no futuro.” [4]

Concluindo assim nossa breve reflexão, resta-nos lembrar que os ensinamentos ofertados pelos espíritos demandaram muito esforço, muito trabalho e cooperação de toda a equipe espiritual, como também de Allan Kardec, a exemplo do trabalho e cooperação do Cristo de Deus, que há mais de 2.000 anos continua nos amparando e fortalecendo.

Os instrutores espirituais que se apresentaram notavelmente à humanidade editaram O Livro dos Espíritos em 18 de abril de 1857, perfazendo neste mês 169 anos de doação, trabalho e cooperação incessantes, inclusive agora, quando temos esta oportunidade de perpassar os olhos por estas singelas linhas do caminho.

Sob as bênçãos de Jesus e destes abnegados trabalhadores e cooperadores do bem, nossa homenagem e nosso pleito de gratidão a tantos corações que, por amor, conduzem nossos passos sob a égide e inspiração de nosso Mestre e Senhor Jesus!

Referências bibliográficas:

[1] XAVIER, Francisco Cândido. Paulo e Estêvão. Pelo Espírito Emmanuel. 2ª parte, capítulo V.

[2] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questão 766.

[3] Bíblia Sagrada, João 14:6.

[4] FRANCO, Divaldo Pereira. Constelação Familiar. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Capítulo 13.

Geraldo Sebastião Soares

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