Atualidade espírita
No capítulo 69 do livro Seara dos Médiuns [1], Emmanuel nos traz uma bela página, começando com as seguintes palavras: “Espíritas! O mundo de agora é o campo de luta a que fostes conclamados para servir. Todas as rotas oferecem contradições terríveis…”

Se nos detemos para meditar nessas orientações tão profundas, concluímos que a vida, bela e iluminada que é, nos convida a deixar por um pouco a nossa “zona de conforto” e sair em busca de algo maior. Essa expressão — “maior” — precisamos focá-la nas coisas espirituais, afinal, somos Espíritos imortais a caminho da evolução. [2] Quando Emmanuel se refere ao campo de luta, o benfeitor faz referência ao nosso dia a dia, porquanto, desde o amanhecer, já somos convidados a servir um pouco mais. O trabalho em favor do outro — seja no lar, no trabalho ou no Centro Espírita — refere-se ao trabalho de doação, entrega e desinteresse material e moral, para que possa realmente dar muitos frutos.
Diz ainda Emmanuel: “A cada trecho, surpreendemos os que falam em Cristo, negando-lhe testemunho. (…)” [1] Essas palavras nos levam a profundas reflexões, porquanto falamos de Jesus constantemente, mas, quando somos chamados a testemunhar a paciência e a renúncia, por exemplo, deixamos que a cólera nos domine — seja no trânsito, na escola, no trabalho ou no lar. Em Jesus temos o exemplo maior [3], pois, sendo o Mestre o Guia e Modelo, temos não só a referência, mas também um norteamento para nossas aflições, nossas dúvidas e nossas inseguranças.
Continua o benfeitor: “Em toda parte, é necessário que sejamos o exemplo do ensino que pregamos, porque, se o Evangelho é a revelação pela qual o Cristo nos entregou mais amplo conhecimento de Deus, a Doutrina Espírita é a revelação pela qual o mundo espera mais amplo conhecimento do Cristo, em nós e por nós.” [1]
Uma vez que temos no Cristo “o Guia e Modelo da Humanidade” [3], às vezes nos sentimos envergonhados por não conseguir seguir os seus passos em direção à luz, que certamente iluminaria nosso caminho, proporcionando-nos maior cota de felicidade. Sabemos que as maiores guerras, e as que mais derramaram sangue em todas as épocas, foram exatamente as guerras religiosas, cujos participantes, ainda com entendimento incipiente, acreditavam que assim ensinava Jesus. Hoje, com o advento do Espiritismo, já não temos mais justificativa para tão infeliz interpretação, até porque Allan Kardec faz, entre outras, duas citações importantíssimas: “O Evangelho Segundo o Espiritismo é para toda a Humanidade…” e “O Espiritismo é a chave com a ajuda da qual podemos entender melhor Jesus.” [4]
Com tais recursos, o Espiritismo nos enche de esperança, mostrando-nos que é possível ser feliz na medida em que abraçarmos os ensinamentos de Jesus, cuja presença nos enche o coração de esperança e nos abre as portas da fé raciocinada, trazendo-nos o consolo de que tanto carecemos. Para tanto, necessitamos do trabalho — servir —, campo de luta em cujas necessidades vislumbramos oportunidades mil que a vida imortal nos oferece. O exercício do amor, essência da caridade, nos levará certamente à alegria de servir e, assim, iremos conquistando um belo recomeço e momentos ricos para a nossa redenção.

Referências bibliográficas:
[1] XAVIER, Francisco Cândido. Seara dos Médiuns. Capítulo 69.
[2] O Livro dos Espíritos, Allan Kardec. Questão 132.
[3] O Livro dos Espíritos, Allan Kardec. Questão 625.
[4] O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec. Introdução.
Geraldo Sebastião Soares
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